Submissão química: por que os números continuam difíceis de medir
A submissão química é mais conhecida do público, mas continua difícil de medir com precisão. Esta dificuldade não torna os dados inúteis: apenas impõe compreender o que eles contabilizam, o que não contabilizam e o nível de prova considerado.
Submissão química, vulnerabilidade química e AFS
A ANSM define a submissão química como a administração de uma substância psicoativa para fins criminais ou delituosos, sem o conhecimento da vítima ou sob ameaça.
A vulnerabilidade química corresponde à exploração de um estado de alteração provocado por consumo voluntário. Estas duas situações são agrupadas sob a expressão agressões facilitadas por substâncias. O consumo voluntário nunca diminui a responsabilidade do autor nem equivale a consentimento.
O que os dados de 2022 realmente mostram
Em 2022, foram enviadas 2 197 declarações ao centro nacional de referência. Após análise, 1 229 agressões facilitadas por substâncias foram confirmadas. Este total não deve ser interpretado como 1 229 submissões químicas provadas.
Para ser classificado como «provável», um caso deve reunir três elementos: uma agressão documentada, a identificação fiável de uma substância incomum para a vítima e uma cronologia compatível com os efeitos do produto. Uma documentação incompleta leva à classificação entre os casos possíveis.
Por que parte dos casos escapa às estatísticas?
- O subnotificação: algumas vítimas não consultam, não apresentam queixa ou não reconhecem imediatamente os sintomas.
- Amnésia e confusão: complicam a reconstrução dos factos, do local e da hora de exposição.
- Colheitas por vezes tardias: algumas substâncias são eliminadas rapidamente e podem deixar de ser detetáveis.
- Diversidade dos produtos: medicamentos sedativos, substâncias ilícitas e associações podem estar envolvidos. Nenhum teste único procura todas as moléculas.
- Informações dispersas: urgências, laboratórios, serviços médico-legais, associações e forças de segurança nem sempre dispõem dos mesmos elementos.
O GHB não é a única substância em causa
A investigação de 2022 indica que, entre as submissões químicas prováveis, os medicamentos sedativos continuavam a ser a maioria. As substâncias não medicamentosas também representavam uma parte importante, nomeadamente estimulantes como a MDMA. Em situações de vulnerabilidade química, o álcool ocupava um lugar preponderante.
Como melhorar a qualidade dos dados?
Uma melhor medição passa por definições comuns, protocolos de colheita rápidos, formação dos profissionais de saúde e segurança, melhor coordenação das notificações e acesso simplificado aos processos médico-legais.
Também implica uma comunicação responsável: não transformar cada mal-estar numa certeza de submissão química, mas nunca minimizar uma suspeita. Os sintomas devem ser levados a sério e avaliados rapidamente.
O que fazer em caso de suspeita?
Em caso de mal-estar súbito, amnésia incomum, sonolência intensa ou comportamento incoerente, permaneça com a pessoa, ligue para o 15 ou 112 se o estado for preocupante e consulte rapidamente. Guarde o copo ou o recipiente sem provar a bebida suspeita.